Em restaurante argentino, quem faz o preço é o cliente

julho 9, 2008

Um restaurante argentino inovou para vencer a concorrência. O Pampa Picante, em Palermo, Buenos Aires, não tem preços no cardápio. Depois de saborear a comida (que deve ser muito boa), o cliente diz quanto acha justo pagar pela refeição. Só têm preço fechado as bebidas e o serviço de mesa – quatro pesos por cliente. Os donos do restaurante decidiram fazer o teste por um mês, mas a idéia deu tão certo que já faz cinco meses que o consumidor é quem dita o preço da comida. Segundo reportagem do La Nación, entre 70% e 80% das pessoas pagam um preço razoável.


Preço injusto

abril 4, 2008

Já fiz um post outro dia sobre a água, mas aqui repito o tema. Uma matéria publicada ontem no Financial Times mostra como as pessoas pagam preços tão diferentes pelo líquido em função da classe social na qual estão inseridas. Numa cidade da Tanzânia, chamada Dar es Salaam, os favelados, que não dispõem de saneamento básico, compram água em lata e pagam o equivalente a US$ 8 por 1.000 litros. Na mesma cidade, só que nos bairros mais ricos, onde há água nas torneiras, paga-se 34 centavos de dólar pela mesma quantidade do líquido. Ainda para efeito de comparação, no Reino Unido 1.000 litros de água custam US$ 1,62 e nos Estados Unidos, 68 centavos de dólar.

Alguma coisa está errada, porque os mais pobres pagam mais que os ricos por um item vital a todos nós. Isso acontece por uma simples lei de mercado: onde a água é mais escassa, paga-se mais por ela. Mas nem tudo na vida deve seguir regras básicas de economia. Está provado que o custo social (e também financeiro) da falta de saneamento é muito elevado. Morrem por dia no mundo 5.000 crianças por doenças ligadas a água. Para resolver a situação, uma conta simples. Se governantes e demais detentores do poder não querem pensar no bem-estar das pessoas, que pensem, pelo menos, na grana. Um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostra que se o número de pessoas sem água potável fosse reduzido pela metade, ao custo de US$ 10 bilhões, o mundo se beneficiaria com US$ 38 bilhões de crescimento econômico anual. Por que não resolver a situação?